Cadeia halal quer garantir exportações para o Oriente Médio
A garantia de abastecimento de alimentos para mercados muçulmanos, apesar dos custos elevados, é prioridade em meio a guerra no Oriente Médio. É o que afirmam representantes do mercado Halal. No ano passado o Brasil exportou US$ 21,3 bilhões em produtos para os árabes, principalmente açúcar, carnes, milho e minério de ferro, segundo dados da plataforma ComexStat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Nesse contexto, a região afetada pela guerra enfrenta dificuldades de acesso dos embarques que atravessam o Estreito de Ormuz, passagem essencial para navios direcionados ao Oriente Médio e Norte da África, regiões que concentram 20% da comunidade muçulmana, que consome produtos halal.
Ali El-Zoghbi, vice-presidente da FAMBRAS Halal, certificadora halal no Brasil, afirma que a prioridade é garantir alguma forma de conclusão das exportações. “Os produtos brasileiros estão sendo sobretaxados por causa do ritmo da guerra, mas a segurança alimentar é importante durante esse momento. Uma necessidade vital é que nossos produtos cheguem lá. Essa é uma discussão diplomática, única forma de minimizar os efeitos dessa guerra”, disse à CNN Brasil.
“Planos de contingência já são executados, mas ainda é prematuro para avaliarmos os impactos dos embarques para a região. Entendo que outros mercados islâmicos possam ser alternativas para a produção brasileira, mas precisamos ficar atentos para os desdobramentos dos próximos dias”, concluiu.
Segundo um estudo do IMARC Group, o mercado global de alimentos halal é avaliado em US$ 2,9 bilhões. A estimativa é que este mercado alcance US$ 6,3 bilhões até 2034, apresentando uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 8,56% entre 2026 e 2034.
A região Ásia-Pacífico domina o mercado, com uma participação superior a 48,5% em 2025. A localização, por sua vez, concentra mais de 60% da comunidade muçulmana. Ainda segundo o IMARC, o crescimento do mercado é impulsionado pela crescente conscientização da população, pelo rápido multiculturalismo e pela globalização.
