Jogadores recebem versões diferentes de prêmio de Melhor da Partida em jogos da Copa

Ajuste adotado pela FIFA busca respeitar questões religiosas, culturais e pessoais sem comprometer acordos de patrocínio

Nem todos os torcedores perceberam, mas alguns jogadores premiados como melhores em campo durante a Copa do Mundo receberam uma versão diferente do troféu entregue ao fim das partidas. A alteração envolve o prêmio patrocinado pela Michelob ULTRA, marca de cerveja parceira da FIFA.

Nos casos de atletas que seguem a religião islâmica, são menores de idade ou preferem não ser associados a marcas de bebidas alcoólicas, a entidade utiliza uma versão alternativa da premiação. O troféu mantém praticamente o mesmo design, mas sem a presença da marca patrocinadora.

A adaptação também aparece nas fotos oficiais. Em vez do logo da cervejaria, o painel utilizado pela FIFA exibe a inscrição “Superior Player of the Match”, garantindo que o registro do atleta não esteja vinculado a uma marca de álcool.

A medida já vinha sendo aplicada desde a Copa do Mundo de Clubes de 2025 e ganhou visibilidade nesta edição do Mundial. Entre os jogadores que receberam a versão modificada do prêmio estão atletas de países com população majoritariamente muçulmana ou que declaradamente seguem o islamismo.

Respeito à Diversidade

Para especialistas em marketing esportivo, a iniciativa demonstra como grandes propriedades esportivas têm buscado equilibrar interesses comerciais e respeito à diversidade cultural em competições globais.

“Eventos como a Copa do Mundo reúnem atletas de diferentes nacionalidades, culturas e crenças. O desafio das entidades esportivas é encontrar soluções que preservem o valor dos contratos de patrocínio sem criar situações de desconforto para os protagonistas do espetáculo. Esse tipo de adaptação mostra uma maturidade cada vez maior da indústria esportiva na gestão de parceiros comerciais em ambientes multiculturais”, afirma Fábio Wolff, sócio-diretor da Wolff Sports.

Na avaliação de Rômulo Vieira, diretor de estratégia e planejamento da End to End, agência especializada em soluções e engajamento para o mercado esportivo, a decisão também revela uma evolução na forma como as marcas constroem sua presença em eventos globais.

“O ajuste no troféu parece detalhe de cerimônia, mas é uma decisão de marca: a FIFA e a Michelob entenderam que insistir na exposição em todo contexto podia custar mais do que recuar em alguns. E marca madura sabe a hora de não aparecer. Tirar o logo diante de um atleta que não bebe não enfraquece a patrocinadora: sinaliza leitura de contexto, que é o que separa presença de invasão. A marca que recua no momento certo costuma ser mais lembrada que a que insiste em estar em todo lugar”, analisa.

A iniciativa também é vista como um exemplo de valorização do atleta para além do desempenho esportivo. Para Alexandre Frota, CEO da FutPro Expo, esse tipo de postura fortalece a responsabilidade social das entidades esportivas “Iniciativas que priorizam o bem-estar extracampo demonstram a maturidade e a responsabilidade social da entidade. Antes de enxergarmos o atleta profissional, devemos valorizar a dimensão humana, respeitando suas crenças e individualidades”, diz.

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